A Good Excuse

Minhas sinceras desculpas pelo atraso na publicação da crônica de hoje.

Não vou por a culpa na internet lenta, no computador que travou, ou no cachorro que comeu o pendrive. Não escrevi ontem porque estava muito cansado.

Nesse momento você deve estar pensando: “Não tinha uma desculpinha melhor, Léo?” – Tenho várias! Mas não vejo razão alguma para utilizá-las. Muitas pessoas se esforçam mais inventando uma desculpa para justificar seus atrasos do que em tentando ser pontuais.

Eu prezo muito a pontualidade. Acredito que se um horário foi estipulado é porque ele tem um papel a cumprir. Exemplo: Costumo jogar meu futebol aos domingos. Ontem, o jogo foi às 19h30, mas dois caras chegaram, pela segunda vez em dois jogos, quase meia hora atrasados. O aluguel da quadra é de 60 minutos, e correr meia hora com um homem a menos em campo é exaustivo.

Se eu quisesse justificar o atraso da crônica de hoje com uma explanação completa sobre a origem do meu cansaço, daí eu já tiraria um bom argumento.

O fato é: marcou, esteja lá. São poucas as coisas que eu digo sem nenhum receio que odeio, e esperar é uma delas. O tempo que você deixa alguém esperando é o tempo que esta pessoa poderia estar fazendo qualquer outra coisa, muito mais produtiva que aguardar sua excelência.

É exatamente o que aconteceu hoje. Enquanto o caríssimo leitor aguardava impacientemente pela crônica de hoje, poderia estar trabalhando, estudando, tomando café da manhã ou até (inveja) dormindo. Não foi a primeira vez que atrasei a publicação, nem a vez que mais demorei para publicá-la, mas sinto-me muito mal quando isso acontece porque sei que, segunda-feira, a partir das 9h, uma legião de leitores clica impacientemente no link do blog já salvo nos favoritos esperando descobrir qual o tema da crônica da semana e, hoje, a expectativa foi superada pela ansiedade, que sempre acaba estragando as coisas.

Semana que vem, para compensar, tentarei postar mais cedo e, assim, quando sentarem em frente ao computador, não mais dirigirão nomes feios à minha pessoa, mas poderão deleitar-se com um novo texto. Sem atrasos. Sem desculpas.

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The Weather Man

Esse clima anda mesmo muito estranho. No sábado, circulei pelo litoral gaúcho com um modelito nada apropriado para o local: casaco de lá e manta. Não que estivesse muito frio, mas o vento estava insuportável. Já o domingo foi completamente diferente. Fez tanto calor em Maquiné (poucos Km de onde estávamos no sábado), que eu passei grande parte da tarde sem camisa, com a boca seca e reclamando do sol. Cheguei até a arriscar um banho de rio. Já hoje, o banho foi de chuva. Mesmo com o guarda-chuvas, molhei minhas pernas inteiras. Esse clima anda mesmo muito estranho.

Mas essa mudança repentina entre das condições climáticas é muito boa para algumas pessoas, afinal, sem isso elas ficam sem assunto.

São os famosos reis do papo furado, conversadores de elevador, papeiros da vizinhança, os sábios estudiosos das direções do vento que encontramos na sala de espera do dentista. Como se o barulho da broca perfurando o canal de alguém atrás da porta não fosse apavorante o suficiente.

Por que falamos sobre assunto vazios com pessoas que, provavelmente, nunca mais encontraremos e conversaremos na vida? Eu chamo isso de reconhecimento do terreno. A grande maioria das pessoas tem a necessidade de se comunicar. Mas muitas vezes estamos em locais ou situações que não encontramos nenhum conhecido. A solução é criar uma relação que possibilite a comunicação. Resultado: o bom e velho papo furado entra em ação, para descobrir se aquela pessoa é ou não alguém que valha a pena investir em um assunto.

Não vou começar a falar sobre o que eu penso sobre a reforma agrária com alguém que eu nunca tenha trocado ideia alguma, é preciso esse reconhecimento. E o clima não tem corrente política, filosófica, religiosa ou coisa e tal. Está chovendo ou não. Está calor ou frio.

O grande problema é quando estamos do outro lado da história e os comunicadores compulsivos começam a falar sobre o tempo. Seria grosseria olhar para a pessoa e responder: “Meu senhor, eu estou pouco me f*#&¨#@ pra esse tempinho de m&*#@”. Muita grosseria, aliás. Mas virar para o lado e não responder também é. O que acabamos fazendo é responder qualquer comentário com um “pois é, espero que no fim de semana o céu esteja limpo” e seguir nossas vidas.

E essa chuva, hein?

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Sublime Obsessão

Sou um cara cheio de manias. Digo manias porque nunca fui diagnosticado com transtorno obsessivo-compulsivo, o famoso TOC, mas algumas coisas me deixam completamente transtornados quando não são feitas de uma determinada maneira.

É normal cada um gostar de fazer as coisas do seu jeito, o problema é não pode fazer diferente. Eu classifiquei minhas manias como sendo de “balanço e equilíbrio”. Normalmente ocorrem para deixar as ações e resultados simétricos.

É aquele clássico exemplo: alguém toca meu braço direito durante uma conversa. Eu começo a desviar a atenção do que me está sendo dito para a angustiante sensação de que falta um toque no mesmo local e com a mesma intensidade no braço esquerdo. O mesmo acontece com coceiras e dores. Dá pra controlar, mas na maioria das vezes é involuntário.

Hum, acabei de pensar que talvez seja por isso que caminhar na batida da música que está tocando nos meus fones também é uma forma de equilibrar, já que cada passo é marcado pela bateria e jamais posso caminhar com o passo fora do ritmo.

Uma época eu achava isso legal, uma coisa minha. Mas, depois de um tempo, a gente acaba percebendo que isso atrapalha em algumas situações. Como não gosto de ter que compensar os toques em apenas um dos braços, acabo ficando ansioso com a possível sensação causada por um eventual cutucão.

Mas por mais insano que possa parecer, não acho que seja obsessão. Levo mais para o lado da minha predisposição ao equilíbrio. Sempre gostei de coisas bem extremas umas às outras, mas equilibrava os argumentos e defesas de cada uma para que tudo tivesse seu espaço. Nada mais natural, sou do signo da balança.

Tá. Parece insano. E talvez seja, mas, às vezes, isso também me ajuda. Já me viram arrumando um porta-malas?

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Intimate Strangers

Há 5 meses eu venho postando minhas crônicas toda segunda-feira, com esporádicos atrasos, admito, mas toda semana você acessa o blog e tem um texto novo para ler. Fico muito orgulhoso comigo mesmo por não ter desistido antes. Não foram poucas as vezes que eu sentei na frente do computador e, na hora de escrever, nenhuma ideia surgia. A preguiça tornava o desenho animado na televisão algo quase impossível de desviar o olhar e a atenção.

Mesmo assim, reuni forças, pensamentos e situações do cotidiano e escrevi.

Por muitas vezes contei a minha história, afinal, é a que eu melhor conheço, e utilizei as minhas vivências e experiências para conversar contigo, caríssimo leitor.

Aí chegamos em um ponto importante. Eu conto o que acontece comigo apenas para trazer um assunto em discussão. Proponho uma situação que possa ser interpretada com as situações vividas por você.

O Palavras ao Léo não é e nunca foi um diário de bordo, onde eu conto minha vida esperando que todos pensem “a vida do Léo é uma loucura”, e muito menos “coitadinho do guri”. Uso a minha vida para que você possa olhar para a sua. Uso as situações que eu vivi como metáfora para as coisas que você já viveu, está vivendo ou viverá um dia.

Pode parecer egoísmo da minha parte e você pode estar pensando: “o Léo conta a vida aqui e não quer que ninguém saiba”, mas não é isso. Eu conto o que acontece comigo porque é através disso que eu consigo contar pra ti que o mundo gira, a roda inverte e as coisas mudam.

Eu agradeço do fundo do coração a todos que acessam o blog e mais ainda aos que comentam, mas principalmente, obrigado a todos que leem as minhas histórias e conseguem perceber que elas são apenas um pano de fundo para as suas próprias.

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The Graduate

Eu gosto de ir a formaturas. Não só na festa, eu gosto de ir à cerimônia de colação, com toda a pompa e coisa e tal. É na colação que a pessoa passa, simbolicamente, de estudante a profissional. Sem falar que adoro usar terno e não perderia nenhuma oportunidade.

Quase todos os finais de semana de agosto estão reservados para formaturas na minha agenda. A deste final de semana me fez ir até Tenente Portela, minha querida cidade natal, para ver um grande amigo meu colar grau em administração. Como se não bastasse viajar 480Km até Portela, ainda tivemos que percorrer mais 45Km até Frederico Westphalen, cidade na qual ele cursou a faculdade (depois voltar pra Portela para a festa).

Sem problemas, a amizade vale o esforço. O que me deixou muito chateado foi ver a falta de respeito e consideração de alguns formandos. Não que o terno e a gravata sejam obrigatórios, mas uma cerimônia dessas pede um traje mais apropriado do que uma bermuda e camisas de time.

A toga é quente. Sei bem disso, pois me formei em janeiro. Mas usei calça social e uma regata por baixo (não me julguem, isso não apareceu para ninguém). O grande problema é que esse formando estava sentado na cadeira da fileira mais ao fundo, no meio do corredor, não tendo ninguém a sua frente. Não bastando isso, sentava com as pernas abertas e mostrando suas polainas naturais. Falta de respeito para com os seus colegas, convidados e família, que pagou no mínimo quatro anos para que ele pudesse se formar.

Outros ainda apelaram para as camisas de times de futebol. O que o time que a pessoa torce fez para ajudar na sua graduação a ponto de levantar a toga e mostrar a camisa do time? Gosto de futebol, mas acredito que existam momentos apropriados para demonstrar apoio ao time.

Todas essas manifestações mostram uma desvalorização do momento. A formatura é um símbolo de transição, mas a percepção está deturpada. Em vez de comemorar a oficialização dos esforços e da profissionalização do conhecimento adquirido durante a faculdade, se está comemorando o dia em que, finalmente, pode-se parar de estudar.

Sem falar nas músicas. Consigo adivinhar pelo menos 3 músicas em cada cerimônia. Em absolutamente todas as formaturas tocam “Foi pouco tempo, mas valeu”, “Valeu a pena, ê ê” e “Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui”. Clichê ao extremo! Outro clichê é o discurso dos oradores, contando o quanto a turma é unida e quanta festa fizeram juntos, sem nunca esquecer o conhecimento.

Sinceramente, eu acho que tem coisas muito mais legais para se dizer. Na minha formatura, fui orador com uma colega e o requisito da turma foi: façam um discurso diferente. Fizemos, de fato. Mas o mais importante, ensaiamos. Gente gaguejando não dá.

Clichês e reclamações à parte, a formatura estava ótima e a festa melhor ainda. Rever os amigos e ver que eles estão felizes me faz muito bem, ainda mais quando dá pra considerar esse amigo como família.

Para o agora formado, só desejo felicidade, porque sem ela a gente não consegue e nem tem motivação para buscar mais nada. Parabéns, Ricardo!

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Fever Pitch

Nunca fui bom de bola. Quando era criança, todos esperavam que eu jogasse futebol como o meu pai, que jogava muito. Infelizmente não herdei tais habilidades, mas meu futebol é suficiente para os jogos de fim de semana, mesmo isso significando que jamais entraria no campo do Beira Rio para defender meu querido Sport Club Internacional.

Ledo engano, caro leitor. No domingo, 7 de agosto de 2011, subi as escadas do vestiário para entrar no vitorioso gramado do Gigante da Beira Rio diante da torcida colorada para ser gandula. É, eu sei que parece não ter glamour nenhum em ser gandula, mas eu estava ali, na beira do gramado, tão próximo dos jogadores que tanto exalto, repreendo, torço e defendo nas conversas de bar.

Tão perto e tão longe.

Ver o jogo de dentro do campo é algo fantástico, mas tem suas desvantagens. Como estava a “trabalho”, não podia comemorar nem gritar com ninguém. Justamente quando a minha voz poderia ser ouvida, eu não podia gritar.

Parando para analisar, percebi que momentos como esse são recorrentes nas nossas vidas. Quantas vezes nos deparamos com situações que clamam pela nossa intervenção, mas, por não querer ofender ou magoar os envolvidos, não falamos nada?

É aquela velha história, de fora fica mais fácil de ver o jogo. Dá pra enxergar quem está bem posicionado, quem não está marcando, quem está livre, quem está fazendo as coisas do jeito que você fez e, por experiência própria, sabe que isso pode dar errado. Não é por isso que você vai deixar de torcer para que tudo dê certo, mas quando a posse de bola é toda do outro time, a torcida vê que sua vida está virando um apêndice da vida do outro, você já não sai, não vê os amigos, não ataca, não faz gols. Na metáfora que estou usando, o melhor resultado possível é o empate, porque é esse equilíbrio que se tem que buscar nas relações.

Eu amo muito esse time que estou tentando defender e aprendi a amar o outro que está em campo. Mas, assim como no domingo, nesse jogo eu sou gandula. Tão perto e tão longe.

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Sociedade dos poetas mortos

Vivemos uma época deveras interessante. Tudo surge, acontece e desaparece sem delongas. O que é dito hoje é esquecido amanhã. E isso não acontece só com o que quisemos dizer, mas também com as palavras.

A língua portuguesa tem incontáveis verbetes que nós sequer conhecemos. Antigamente, as conversas eram repletas de palavras garbosas, que exalavam toda a elegância desses tempos longínquos. As cartas de amor, com palavras meticulosamente escolhidas para melhor representar aquele sentimento. Palavras floreadas que eram ditas somente ao pé-do-ouvido e, como um sussurro, foram abafadas pelo som da comunicação moderna. Uma comunicação mais direta e prática. Sem rodeios. Sem devaneios. Sem espaço para o rebuscado vocabulário dos tempos de outrora.

Claro que é normal mudarmos o jeito de falar e escrever, conforme mudamos o jeito de viver. Imagine-se utilizando esse português arcaico no messenger, twitter, facebook, ou até em uma conversa de bar. Seria, no mínimo, excêntrico.

Não obstante à comunicação estar muito mais desenvolvida atualmente, muito foi perdido nesse processo. Muitas palavras ainda são usadas, ainda que com parcimônia, mas normalmente opta-se pelo usual, para um entendimento mais rápido e efetivo. Afinal, esse é o rumo que a comunicação está tomando: atingir o maior número de pessoas, o mais rápido possível. Dessa forma não se pode aprimorar o discurso, buscar as melhores palavras para cada um. É preciso ser direto, rápido, superficial. E, assim, acabamos por nos tornar quase sempre expletivos. Apenas completamos frases, sem adicionar nenhum novo significado.

As palavras caem no esquecimento, tal como seus significados. E isso não quer dizer que devemos voltar a falar e escrever como antigamente, mas que não podemos querer falar com o mundo inteiro de uma só vez. É preciso se comunicar, mas é preciso saber como e pra quem se comunicar. Palavras não são apenas ar modulado em nossa garganta ou rastros de tinta sobre um papel. Elas representam o que somos na nossa mensagem, aliás, elas são como nós. Quiçá chegue o dia em que entendam que palavras são o corpo e seus significados a alma. Mas enquanto esse dia não chega, escrevo-as, para que continuem vivas nem que seja em forma de testamento.

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