Arquivo da categoria: Crônicas

O dia em que a Terra parou

Nunca gostei muito de ficar parado. Não no sentido de ser hiperativo, mas por não gostar de ficar sem nada para fazer. O ócio é bom e necessário para recarregar o corpo e a mente, mas seu excesso é que me enche o saco.

Além de trabalhar como redator, sou o responsável pela composição, gravação, produção e edição de uma produtora de vídeo que ajudei a fundar e, agora que estamos conseguindo mais trabalhos, a dedicação e a vontade de fazer aumentam, junto às responsabilidades.

Mesmo já sendo bastante coisa, resolvi voltar a estudar, para ampliar minhas áreas de atuação, mas sempre me mantendo relacionado com o que já faço. No próximo semestre pretendo começar o curso de jornalismo.

Com tanta coisa nova acontecendo, precisei reavaliar minhas prioridades e tomar algumas atitudes que são dolorosas, mas necessárias até eu não mais me sentir obrigado a fazer o que deveria ser natural. Por isso, as crônicas aqui publicadas deixarão de ser semanais, não assumindo a quinzena, ou mês. Postarei quando uma ideia surgir, e acredite, elas não demoram muito, apenas não me obrigarei a tê-las na madrugada de domingo.

Até breve.

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Oldboy

Quantos anos a gente tem que ter para ser considerado velho?

Completei 23 anos na última sexta e não me sinto nem ao menos perto da velhice. Eu sei que os meus 23 não representam velhice alguma, mas fiquei realmente curioso em saber quantos anos são necessários para sermos considerados velhos. Existe aquela máxima de que a juventude está na cabeça de cada um. Eu concordo, mas é inegável o fato de que chega uma hora em que o corpo não responde mais às ordens do jovem cérebro, e, para mim, esse é o ponto onde atingimos a velhice.

Mas temos que saber separar o velho do adulto, pois existem adultos jovens, assim como podemos ver crianças e adolescentes velhos. Eu posso me considerar um jovem adulto, já que assumo minhas responsabilidades, trabalho para ganhar meu dinheiro, já tenho uma certa experiência de vida e coisa e tal. Certo dia, inclusive, li em algum lugar que o momento de transição para a vida adulta é quando percebemos que gostamos mais de mostarda do que de ketchup (não sabia como escrever, encontrei assim no dicionário Michaelis).

Fez todo o sentido para mim.

Ser adulto não restringe minhas atitudes à seriedade e responsabilidade. É possível ser irresponsável e até mesmo inconsequente na vida adulta, porém, não o tempo todo, como muitas vezes fomos na adolescência. Não quero passar uma imagem de “ui ui ui, fiz aniversário e agora sou responsável”, mas é geralmente nessa época do ano que fazemos uma análise da nossa conduta e das atitudes que representam nossa essência. Na minha autoanálise (de acordo com a nova ortografia) percebi que, sem dedicar nenhum esforço especificamente para isso, me tornei adulto.

Adulto sim, velho não. Posso ter me tornado extremamente responsável pelas coisas que eu faço, seja no trabalho, nos projetos paralelos, em casa ou nos relacionamentos, mas isso não me faz velho, pois não estou cansado e, enquanto eu tiver energia para ser um chato responsável, assumindo inúmeras atividades e me virando em 8 para cumprir os prazos, serei um jovem adulto. Quando não der mais conta, colocarei um robe, pantufas e sentarei na varanda para reclamar das mil coisas a mais que eu poderia ter feito.

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Chegadas e Partidas

Ainda sinto o tremor nos braços ao tentar sustentar qualquer objeto. Meus músculos ainda não conseguiram descansar o suficiente para parar de doer. Meus ombros ainda não relaxaram e, assim, me mantenho tenso e dolorido. Definitivamente, fazer uma mudança acaba com meu corpo. Não fui eu que mudei de apartamento, só ajudei a encaixotar e carregar as coisas, mas posso dizer que, mesmo sendo extremamente cansativo, vale a pena.

Em toda a minha vida, só me mudei 3 vezes: da casa que passei minha infância para a casa que passei minha adolescência, então mudei para Porto Alegre e, depois de formado, troquei de apartamento. Mesmo assim, não sou o tipo de pessoa que cria um vínculo especial com o lugar que mora, com exceção da casa dos meus pais que, mesmo morando longe há quase 6 anos, ainda considero a minha casa.

Apesar de não me mudar com frequencia, gosto muito da ideia. A pessoa a quem ajudei na mudança leva isso como filosofia de vida. Quando a vida entra em outra fase, ela muda. Dessa maneira, cada fase da sua vida será marcada não só por atitudes diferentes, mas lugares e pessoas também. O que passou você deixa pra trás, trazendo para o novo ciclo o que foi muito marcante e te ajudou a ser o que você está sendo. Digo está sendo porque todos mudamos o tempo todo. Nunca seremos exatamente os mesmos durante toda a vida. Mudamos. Isso não quer dizer que não carregamos o que nos torna únicos, a nossa essência sempre será a mesma, mas as formas que ela se manifesta é que mudam, com mais frequência do que a gente imagina.

O fato é que me empolguei com a mudança dela e acho que acabei mudando um pouco junto. Aproveitando a nova fase dela para viver uma nova fase minha, carregado com o que guardei de melhor das outras fases da minha vida, com o corpo ainda cansado das caixas, mas já me preparando para a próxima mudança.

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O Silêncio dos Inocentes

Tenho um amigo que diz que o melhor fica em off e, pra muitas coisas, essa teoria se aplica. Algumas ideias só são boas pra nós mesmos, pois somos nós que conhecemos o que passa na nossa cabeça e todas as associações que nos fizeram chegar naquele pensamento. Tem piadas que só a gente ri. Tem músicas que a gente só curte mesmo, de cantar junto e se imaginar no show, quando estamos completamente sozinhos. Pra tudo, a gente encontra uma versão só da gente.

Mas tem coisas que não são possíveis quando estamos sozinhos. Ou melhor, até são, mas ficam incompletas. Estar acompanhado te permite explorar novas interpretações pra situações diversas, desde uma história banal, até uma trama cheia de desenlaces e revelações.

Eu vivi muitas histórias em off. Histórias que, por estarem sempre sob os panos, tornavam tudo mais pessoal. Mas não havia necessidade nenhuma de deixar essas histórias escondidas, pois não era o sigilo delas que as tornavam tão especiais, e sim o bem que vivê-las me fazia.

Desisti delas por um tempo, pois precisava saber se precisava delas para continuar me sentindo bem e, depois de algum tempo pensando, ouvindo conselhos e tomando doses homeopáticas do que eu poderia estar vivendo, finalmente resolvi me entregar ao que me faz bem e ao que eu não consigo fica sem: a Paty.

A crônica de hoje é dedicada a ela, que me fez enfrentar os medos que me seguravam em um não-relacionamento eterno. Contar que tivemos um relacionamento de vários meses realmente tira um peso das costas e não dói nada. Se eu precisava superar qualquer coisa passada, acho que foi esse o momento. Obrigado, Paty!

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Sob Pressão

Durante a semana, trabalho quase constantemente sob pressão. Prazos, entregas e a preocupação com o tempo necessário para cumpri-los criam todo o clima de tormenta nas nossas cabeças. Forçar as ideias a surgir normalmente é complicado e compromete o resultado final. Apesar disso, eu gosto dessa pressão.

Gosto porque é um modo de desafio, e o desafio inspira. As ideias surgem quando acreditamos nelas. Nosso cérebro costuma censurar nossos pensamentos, para que analisemos e avaliemos a ideia antes de expressá-la, mas esse filtro é falho e acabamos deixando passar boas ideias por vergonha de dizê-las.

Com maior confiança, tendemos a acreditar um pouco mais em nós mesmos e as ideias já começam a ser contadas. Então, surge um desafio. Não basta falar uma ideia, ela tem que cumprir um objetivo específico, resolver o problema. Você precisa pensar, precisa entender e solucionar o caso de uma maneira criativa. É um puta teste. E quando o resultado é positivo, você tem um level up.

Talvez muitos não reconheçam o seu mérito pela solução encontrada. Mas se tu sabes que o resultado ficou bom tu acreditas em ti e as ideias acabam surgindo com muito mais freqüência. E ter mais ideias, para mim, é muito bom.

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A Good Excuse

Minhas sinceras desculpas pelo atraso na publicação da crônica de hoje.

Não vou por a culpa na internet lenta, no computador que travou, ou no cachorro que comeu o pendrive. Não escrevi ontem porque estava muito cansado.

Nesse momento você deve estar pensando: “Não tinha uma desculpinha melhor, Léo?” – Tenho várias! Mas não vejo razão alguma para utilizá-las. Muitas pessoas se esforçam mais inventando uma desculpa para justificar seus atrasos do que em tentando ser pontuais.

Eu prezo muito a pontualidade. Acredito que se um horário foi estipulado é porque ele tem um papel a cumprir. Exemplo: Costumo jogar meu futebol aos domingos. Ontem, o jogo foi às 19h30, mas dois caras chegaram, pela segunda vez em dois jogos, quase meia hora atrasados. O aluguel da quadra é de 60 minutos, e correr meia hora com um homem a menos em campo é exaustivo.

Se eu quisesse justificar o atraso da crônica de hoje com uma explanação completa sobre a origem do meu cansaço, daí eu já tiraria um bom argumento.

O fato é: marcou, esteja lá. São poucas as coisas que eu digo sem nenhum receio que odeio, e esperar é uma delas. O tempo que você deixa alguém esperando é o tempo que esta pessoa poderia estar fazendo qualquer outra coisa, muito mais produtiva que aguardar sua excelência.

É exatamente o que aconteceu hoje. Enquanto o caríssimo leitor aguardava impacientemente pela crônica de hoje, poderia estar trabalhando, estudando, tomando café da manhã ou até (inveja) dormindo. Não foi a primeira vez que atrasei a publicação, nem a vez que mais demorei para publicá-la, mas sinto-me muito mal quando isso acontece porque sei que, segunda-feira, a partir das 9h, uma legião de leitores clica impacientemente no link do blog já salvo nos favoritos esperando descobrir qual o tema da crônica da semana e, hoje, a expectativa foi superada pela ansiedade, que sempre acaba estragando as coisas.

Semana que vem, para compensar, tentarei postar mais cedo e, assim, quando sentarem em frente ao computador, não mais dirigirão nomes feios à minha pessoa, mas poderão deleitar-se com um novo texto. Sem atrasos. Sem desculpas.

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The Weather Man

Esse clima anda mesmo muito estranho. No sábado, circulei pelo litoral gaúcho com um modelito nada apropriado para o local: casaco de lá e manta. Não que estivesse muito frio, mas o vento estava insuportável. Já o domingo foi completamente diferente. Fez tanto calor em Maquiné (poucos Km de onde estávamos no sábado), que eu passei grande parte da tarde sem camisa, com a boca seca e reclamando do sol. Cheguei até a arriscar um banho de rio. Já hoje, o banho foi de chuva. Mesmo com o guarda-chuvas, molhei minhas pernas inteiras. Esse clima anda mesmo muito estranho.

Mas essa mudança repentina entre das condições climáticas é muito boa para algumas pessoas, afinal, sem isso elas ficam sem assunto.

São os famosos reis do papo furado, conversadores de elevador, papeiros da vizinhança, os sábios estudiosos das direções do vento que encontramos na sala de espera do dentista. Como se o barulho da broca perfurando o canal de alguém atrás da porta não fosse apavorante o suficiente.

Por que falamos sobre assunto vazios com pessoas que, provavelmente, nunca mais encontraremos e conversaremos na vida? Eu chamo isso de reconhecimento do terreno. A grande maioria das pessoas tem a necessidade de se comunicar. Mas muitas vezes estamos em locais ou situações que não encontramos nenhum conhecido. A solução é criar uma relação que possibilite a comunicação. Resultado: o bom e velho papo furado entra em ação, para descobrir se aquela pessoa é ou não alguém que valha a pena investir em um assunto.

Não vou começar a falar sobre o que eu penso sobre a reforma agrária com alguém que eu nunca tenha trocado ideia alguma, é preciso esse reconhecimento. E o clima não tem corrente política, filosófica, religiosa ou coisa e tal. Está chovendo ou não. Está calor ou frio.

O grande problema é quando estamos do outro lado da história e os comunicadores compulsivos começam a falar sobre o tempo. Seria grosseria olhar para a pessoa e responder: “Meu senhor, eu estou pouco me f*#&¨#@ pra esse tempinho de m&*#@”. Muita grosseria, aliás. Mas virar para o lado e não responder também é. O que acabamos fazendo é responder qualquer comentário com um “pois é, espero que no fim de semana o céu esteja limpo” e seguir nossas vidas.

E essa chuva, hein?

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