Arquivo do mês: outubro 2011

O dia em que a Terra parou

Nunca gostei muito de ficar parado. Não no sentido de ser hiperativo, mas por não gostar de ficar sem nada para fazer. O ócio é bom e necessário para recarregar o corpo e a mente, mas seu excesso é que me enche o saco.

Além de trabalhar como redator, sou o responsável pela composição, gravação, produção e edição de uma produtora de vídeo que ajudei a fundar e, agora que estamos conseguindo mais trabalhos, a dedicação e a vontade de fazer aumentam, junto às responsabilidades.

Mesmo já sendo bastante coisa, resolvi voltar a estudar, para ampliar minhas áreas de atuação, mas sempre me mantendo relacionado com o que já faço. No próximo semestre pretendo começar o curso de jornalismo.

Com tanta coisa nova acontecendo, precisei reavaliar minhas prioridades e tomar algumas atitudes que são dolorosas, mas necessárias até eu não mais me sentir obrigado a fazer o que deveria ser natural. Por isso, as crônicas aqui publicadas deixarão de ser semanais, não assumindo a quinzena, ou mês. Postarei quando uma ideia surgir, e acredite, elas não demoram muito, apenas não me obrigarei a tê-las na madrugada de domingo.

Até breve.

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Oldboy

Quantos anos a gente tem que ter para ser considerado velho?

Completei 23 anos na última sexta e não me sinto nem ao menos perto da velhice. Eu sei que os meus 23 não representam velhice alguma, mas fiquei realmente curioso em saber quantos anos são necessários para sermos considerados velhos. Existe aquela máxima de que a juventude está na cabeça de cada um. Eu concordo, mas é inegável o fato de que chega uma hora em que o corpo não responde mais às ordens do jovem cérebro, e, para mim, esse é o ponto onde atingimos a velhice.

Mas temos que saber separar o velho do adulto, pois existem adultos jovens, assim como podemos ver crianças e adolescentes velhos. Eu posso me considerar um jovem adulto, já que assumo minhas responsabilidades, trabalho para ganhar meu dinheiro, já tenho uma certa experiência de vida e coisa e tal. Certo dia, inclusive, li em algum lugar que o momento de transição para a vida adulta é quando percebemos que gostamos mais de mostarda do que de ketchup (não sabia como escrever, encontrei assim no dicionário Michaelis).

Fez todo o sentido para mim.

Ser adulto não restringe minhas atitudes à seriedade e responsabilidade. É possível ser irresponsável e até mesmo inconsequente na vida adulta, porém, não o tempo todo, como muitas vezes fomos na adolescência. Não quero passar uma imagem de “ui ui ui, fiz aniversário e agora sou responsável”, mas é geralmente nessa época do ano que fazemos uma análise da nossa conduta e das atitudes que representam nossa essência. Na minha autoanálise (de acordo com a nova ortografia) percebi que, sem dedicar nenhum esforço especificamente para isso, me tornei adulto.

Adulto sim, velho não. Posso ter me tornado extremamente responsável pelas coisas que eu faço, seja no trabalho, nos projetos paralelos, em casa ou nos relacionamentos, mas isso não me faz velho, pois não estou cansado e, enquanto eu tiver energia para ser um chato responsável, assumindo inúmeras atividades e me virando em 8 para cumprir os prazos, serei um jovem adulto. Quando não der mais conta, colocarei um robe, pantufas e sentarei na varanda para reclamar das mil coisas a mais que eu poderia ter feito.

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Chegadas e Partidas

Ainda sinto o tremor nos braços ao tentar sustentar qualquer objeto. Meus músculos ainda não conseguiram descansar o suficiente para parar de doer. Meus ombros ainda não relaxaram e, assim, me mantenho tenso e dolorido. Definitivamente, fazer uma mudança acaba com meu corpo. Não fui eu que mudei de apartamento, só ajudei a encaixotar e carregar as coisas, mas posso dizer que, mesmo sendo extremamente cansativo, vale a pena.

Em toda a minha vida, só me mudei 3 vezes: da casa que passei minha infância para a casa que passei minha adolescência, então mudei para Porto Alegre e, depois de formado, troquei de apartamento. Mesmo assim, não sou o tipo de pessoa que cria um vínculo especial com o lugar que mora, com exceção da casa dos meus pais que, mesmo morando longe há quase 6 anos, ainda considero a minha casa.

Apesar de não me mudar com frequencia, gosto muito da ideia. A pessoa a quem ajudei na mudança leva isso como filosofia de vida. Quando a vida entra em outra fase, ela muda. Dessa maneira, cada fase da sua vida será marcada não só por atitudes diferentes, mas lugares e pessoas também. O que passou você deixa pra trás, trazendo para o novo ciclo o que foi muito marcante e te ajudou a ser o que você está sendo. Digo está sendo porque todos mudamos o tempo todo. Nunca seremos exatamente os mesmos durante toda a vida. Mudamos. Isso não quer dizer que não carregamos o que nos torna únicos, a nossa essência sempre será a mesma, mas as formas que ela se manifesta é que mudam, com mais frequência do que a gente imagina.

O fato é que me empolguei com a mudança dela e acho que acabei mudando um pouco junto. Aproveitando a nova fase dela para viver uma nova fase minha, carregado com o que guardei de melhor das outras fases da minha vida, com o corpo ainda cansado das caixas, mas já me preparando para a próxima mudança.

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O Silêncio dos Inocentes

Tenho um amigo que diz que o melhor fica em off e, pra muitas coisas, essa teoria se aplica. Algumas ideias só são boas pra nós mesmos, pois somos nós que conhecemos o que passa na nossa cabeça e todas as associações que nos fizeram chegar naquele pensamento. Tem piadas que só a gente ri. Tem músicas que a gente só curte mesmo, de cantar junto e se imaginar no show, quando estamos completamente sozinhos. Pra tudo, a gente encontra uma versão só da gente.

Mas tem coisas que não são possíveis quando estamos sozinhos. Ou melhor, até são, mas ficam incompletas. Estar acompanhado te permite explorar novas interpretações pra situações diversas, desde uma história banal, até uma trama cheia de desenlaces e revelações.

Eu vivi muitas histórias em off. Histórias que, por estarem sempre sob os panos, tornavam tudo mais pessoal. Mas não havia necessidade nenhuma de deixar essas histórias escondidas, pois não era o sigilo delas que as tornavam tão especiais, e sim o bem que vivê-las me fazia.

Desisti delas por um tempo, pois precisava saber se precisava delas para continuar me sentindo bem e, depois de algum tempo pensando, ouvindo conselhos e tomando doses homeopáticas do que eu poderia estar vivendo, finalmente resolvi me entregar ao que me faz bem e ao que eu não consigo fica sem: a Paty.

A crônica de hoje é dedicada a ela, que me fez enfrentar os medos que me seguravam em um não-relacionamento eterno. Contar que tivemos um relacionamento de vários meses realmente tira um peso das costas e não dói nada. Se eu precisava superar qualquer coisa passada, acho que foi esse o momento. Obrigado, Paty!

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