Arquivo do mês: setembro 2011

Buena Vida Delivery

Na crônica de hoje falarei sobre algo que se tornou imprescindível pra mim: a tele-entrega.

São vários os motivos que me fazem pedir comida ao invés de colocar a mão na massa e cozinhar alguma refeição decente, mas os rumos que a minha vida tomou me fazem optar pela facilidade e agilidade dos motoboys dessa cidade.

Comecemos pelo fato de que eu normalmente peço comida quando estou sozinho e, você há de convir que, cozinhar para apenas uma pessoa é extremamente sem graça. Eu sei e gosto de cozinhar, misturar temperos e descobrir combinações, mas fazer tudo e ter que comer sozinho, sem nem ao menos uma alma pra dizer que ficou bom, ou que precisava de mais sal, é frustrante.

Outra coisa que influencia muito é que a cozinha do meu apartamento é bem pequena e quase não há espaço para guardar comida, com exceção da geladeira e uma pequena bancada onde deveria estar um forno de micro-ondas. Portanto, não posso fazer um rancho no supermercado e estocar pacotes de massa, verduras, legumes, carnes e temperos. Se eu quero cozinhar, preciso comprar as coisas no dia e, às vezes, não disponho desse tempo.

 O ponto que acredito que você vai concordar comigo é em relação às louças. Cozinhar suja muita louça, sejam pratos, talheres ou as temíveis panelas. Se eu encomendo um xis, um pastel, pizza ou até mesmo comida chinesa, não é de extrema necessidade o uso de pratos. Comer com as mãos é uma coisa que as mães ensinam que é errado, mas, com certeza, é muito melhor.

Talvez seja apenas preguiça, talvez seja amor ao junk food, o fato é que a tele-entrega se tornou mais do que uma opção de refeição e passou a fazer parte do meu cardápio semanal. Eu gosto e não me incomodo de ter que pagar uma taxa extra pela comodidade. Agora, com licença que o interfone tocou e deve ser o cachorro quente prensado que eu pedi. Até semana que vem.

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Sob Pressão

Durante a semana, trabalho quase constantemente sob pressão. Prazos, entregas e a preocupação com o tempo necessário para cumpri-los criam todo o clima de tormenta nas nossas cabeças. Forçar as ideias a surgir normalmente é complicado e compromete o resultado final. Apesar disso, eu gosto dessa pressão.

Gosto porque é um modo de desafio, e o desafio inspira. As ideias surgem quando acreditamos nelas. Nosso cérebro costuma censurar nossos pensamentos, para que analisemos e avaliemos a ideia antes de expressá-la, mas esse filtro é falho e acabamos deixando passar boas ideias por vergonha de dizê-las.

Com maior confiança, tendemos a acreditar um pouco mais em nós mesmos e as ideias já começam a ser contadas. Então, surge um desafio. Não basta falar uma ideia, ela tem que cumprir um objetivo específico, resolver o problema. Você precisa pensar, precisa entender e solucionar o caso de uma maneira criativa. É um puta teste. E quando o resultado é positivo, você tem um level up.

Talvez muitos não reconheçam o seu mérito pela solução encontrada. Mas se tu sabes que o resultado ficou bom tu acreditas em ti e as ideias acabam surgindo com muito mais freqüência. E ter mais ideias, para mim, é muito bom.

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A Good Excuse

Minhas sinceras desculpas pelo atraso na publicação da crônica de hoje.

Não vou por a culpa na internet lenta, no computador que travou, ou no cachorro que comeu o pendrive. Não escrevi ontem porque estava muito cansado.

Nesse momento você deve estar pensando: “Não tinha uma desculpinha melhor, Léo?” – Tenho várias! Mas não vejo razão alguma para utilizá-las. Muitas pessoas se esforçam mais inventando uma desculpa para justificar seus atrasos do que em tentando ser pontuais.

Eu prezo muito a pontualidade. Acredito que se um horário foi estipulado é porque ele tem um papel a cumprir. Exemplo: Costumo jogar meu futebol aos domingos. Ontem, o jogo foi às 19h30, mas dois caras chegaram, pela segunda vez em dois jogos, quase meia hora atrasados. O aluguel da quadra é de 60 minutos, e correr meia hora com um homem a menos em campo é exaustivo.

Se eu quisesse justificar o atraso da crônica de hoje com uma explanação completa sobre a origem do meu cansaço, daí eu já tiraria um bom argumento.

O fato é: marcou, esteja lá. São poucas as coisas que eu digo sem nenhum receio que odeio, e esperar é uma delas. O tempo que você deixa alguém esperando é o tempo que esta pessoa poderia estar fazendo qualquer outra coisa, muito mais produtiva que aguardar sua excelência.

É exatamente o que aconteceu hoje. Enquanto o caríssimo leitor aguardava impacientemente pela crônica de hoje, poderia estar trabalhando, estudando, tomando café da manhã ou até (inveja) dormindo. Não foi a primeira vez que atrasei a publicação, nem a vez que mais demorei para publicá-la, mas sinto-me muito mal quando isso acontece porque sei que, segunda-feira, a partir das 9h, uma legião de leitores clica impacientemente no link do blog já salvo nos favoritos esperando descobrir qual o tema da crônica da semana e, hoje, a expectativa foi superada pela ansiedade, que sempre acaba estragando as coisas.

Semana que vem, para compensar, tentarei postar mais cedo e, assim, quando sentarem em frente ao computador, não mais dirigirão nomes feios à minha pessoa, mas poderão deleitar-se com um novo texto. Sem atrasos. Sem desculpas.

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The Weather Man

Esse clima anda mesmo muito estranho. No sábado, circulei pelo litoral gaúcho com um modelito nada apropriado para o local: casaco de lá e manta. Não que estivesse muito frio, mas o vento estava insuportável. Já o domingo foi completamente diferente. Fez tanto calor em Maquiné (poucos Km de onde estávamos no sábado), que eu passei grande parte da tarde sem camisa, com a boca seca e reclamando do sol. Cheguei até a arriscar um banho de rio. Já hoje, o banho foi de chuva. Mesmo com o guarda-chuvas, molhei minhas pernas inteiras. Esse clima anda mesmo muito estranho.

Mas essa mudança repentina entre das condições climáticas é muito boa para algumas pessoas, afinal, sem isso elas ficam sem assunto.

São os famosos reis do papo furado, conversadores de elevador, papeiros da vizinhança, os sábios estudiosos das direções do vento que encontramos na sala de espera do dentista. Como se o barulho da broca perfurando o canal de alguém atrás da porta não fosse apavorante o suficiente.

Por que falamos sobre assunto vazios com pessoas que, provavelmente, nunca mais encontraremos e conversaremos na vida? Eu chamo isso de reconhecimento do terreno. A grande maioria das pessoas tem a necessidade de se comunicar. Mas muitas vezes estamos em locais ou situações que não encontramos nenhum conhecido. A solução é criar uma relação que possibilite a comunicação. Resultado: o bom e velho papo furado entra em ação, para descobrir se aquela pessoa é ou não alguém que valha a pena investir em um assunto.

Não vou começar a falar sobre o que eu penso sobre a reforma agrária com alguém que eu nunca tenha trocado ideia alguma, é preciso esse reconhecimento. E o clima não tem corrente política, filosófica, religiosa ou coisa e tal. Está chovendo ou não. Está calor ou frio.

O grande problema é quando estamos do outro lado da história e os comunicadores compulsivos começam a falar sobre o tempo. Seria grosseria olhar para a pessoa e responder: “Meu senhor, eu estou pouco me f*#&¨#@ pra esse tempinho de m&*#@”. Muita grosseria, aliás. Mas virar para o lado e não responder também é. O que acabamos fazendo é responder qualquer comentário com um “pois é, espero que no fim de semana o céu esteja limpo” e seguir nossas vidas.

E essa chuva, hein?

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