Arquivo do mês: junho 2011

The Breakfast Club

Semana passada teve um santo feriado pra dar uma força pra gente. Literalmente santo, o Corpus Christi. Minha irmã e meu cunhado foram visitar os meus pais, mas como eu trabalhei na sexta-feira, a viagem se tornou inviável, considerando as nove horas no ônibus. Claro que a minha saudade dos meus pais é muito grande e estar com eles seria ótimo, mas não posso reclamar do meu “feriadão”. Encontrei alguns amigos que, há tempos, eu não passava tanto tempo junto. E por “tanto tempo” eu quero dizer “todo o tempo”.

Lembrar histórias do passado é sempre um convite a muitas risadas. Se estão somadas a um vinho, então, a gargalhada é garantida. Reviver aquelas histórias fez ressurgir aquele sentimento de amizade que, apesar de nunca ter sumido, estava num cantinho, esperando ser escolhido pra brincar. Como ele brincou!

A cada história contada, a cada pessoa lembrada, estávamos lá prontos pra rir. A cada música tocada, de clássicos do cinema aos gauderismos. De “My Girl” ao “Bochincho”, passando por uma incrível discussão sobre uma frase na letra de “Gaudêncio Sete Luas”, que acabou por destruir a infância de pelo menos 2 amigos.

O mais incrível dessa reunião de velhos amigos é que, por mais que o tempo tenha passado, a gente tenha crescido e envelhecido, apesar de todas essas mudanças, na verdade, a gente quase não mudou. Ainda consigo ver o que cada um era no que cada um é. E é por isso que eu acho que essa amizade dura mais de 20 anos. Podemos não nos encontrar sempre, mas quando isso ocorre, é como se fosse pra um jantar, numa segunda-feira qualquer, com o único propósito de estar perto de grandes amigos.

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Home Sick

É estanho, mas posso dizer que estou feliz que o fim de semana tenha acabado. Não que eu seja um workaholic em crise de abstinência (até porque eu trouxe algumas coisas para fazer em casa), mas pelo fato de eu ter reservado esses dois dias para a minha recuperação.

Durante a semana, a gripe da qual eu jurava estar curado resolveu dar um último suspiro e avacalhou com a quinta e a sexta-feira. Mal podia respirar, minha garganta fechou, meu corpo doía e um princípio de febre deu as caras. Se fosse um sintoma só, eu aguentaria na boa. Mas todos juntos me derrubaram.

Todo mundo diz que a melhor coisa pra se recuperar é descansar. Ninguém precisou insistir pra eu topar o tratamento. Dormir parecia ser tudo que meu corpo precisava. E quem disse que eu conseguia? Tentava respirar pelo nariz: trancado. Vai pela boca, então, mesmo que eu ronque: garganta completamente fechada. Não que seja difícil dormir sem respirar, afinal, minha apneia deveria ter me treinado pra isso. Além do mais, encontrar uma posição confortável quando teu corpo todo reclama é dose.

É. Eu, definitivamente, não gosto de ficar doente. Ninguém gosta (com raras exceções que, sim, eu conheço). Mas chega de reclamação. O fim de semana passou e esses sintomas também.

Eu passei a noite de sexta, o sábado e o domingo inteiros dentro de casa (salvos uns minutos pra ir até o super comprar comida). E, nesses dois dias e um turno, não fiz praticamente nada. Nem me mexi na sala. Isso sim é doença! Deixei que uma moleza no corpo me prendesse em casa.

Às vezes não me reconheço mais. Alguns anos atrás eu trataria a gripe com uma bela correria num jogo de futebol. Bom, pelo menos eu descansei e vou começar a semana com as baterias carregadas, energias renovadas e… Droga! Já são quase 2h e amanhã eu tenho que acordar cedo.

P.S.: Me atrasei pro trabalho. Tsc tsc tsc

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Blue Valentine

Passei o Dia dos Namorados solteiro. Bom, foi assim que eu passei a maioria dos Dia dos Namorados na minha vida, mas o desse ano trouxe mais alguns significados. Ao todo, já passei esse dia com status “namorando” por três vezes, mas apenas uma eu passei, de fato, com minha namorada.

A primeira vez era um namoro à distância, e não teve como viajar pra vê-la porque caía no meio da semana. Mesmo assim foi romântico, com cartas e presentes enviados e recebidos via correio. O namoro não durou por muito tempo depois disso, mas foi legal para ver que o romantismo sobrevive à distância, mas a paixão, muitas vezes, não.

Na segunda vez, tudo mudou, incluindo a namorada. Saímos para jantar, trocamos presente, tomamos vinho e champagne, enfim, todos os frufrus que a data impõe. Não foi nada barato, mas valeu a pena. Não tem jeito, eu curto romance! Concordo que essa é uma data inventada para aquecer as vendas nesse começo de inverno, mas para quem está vivendo esse clima romântico, ou para quem está começando a se acostumar com o relacionamento, é um bom momento para se entregar à paixão e aproveitar ótimos momentos apenas com a pessoa que você quer estar. É hipocrisia dizer que não vê sentido em aproveitar uma data comercial para agradar a pessoa amada, mas fazemos a mesma coisa com as mães e os pais e nunca questionamos isso. Claro que não é preciso esperar esse dia para ser romântico ou demonstrar o seu amor, mas criticar a data apenas pelo fato de não compartilhar esse envolvimento com alguém, para mim, é pura inveja.

Temos mais é que aproveitar para fazermos o que quisermos, desde que seja ao lado de alguém que gostemos. Se, eventualmente, essa pessoa não existe, lugares e ocasiões para encontrá-la não faltam, já que a programação para solteiros nesse dia é muito maior do que em qualquer outra época (exceto carnaval).

O que não dá para considerar é passar essa data tão importante para os românticos sem, ao menos, lembrar da pessoa amada. Meu terceiro Dia dos Namorados namorando foi trágico, ao menos pra mim. Ainda estava com a mesma pessoa que tinha transformado a mesma data do ano anterior tão mágica. Porém, dessa vez eu nem ao menos pude vê-la (morando a menos de 1Km de distância). Na época, ela estava gravando um curta metragem, então sairíamos após o término das gravações. Em casa, eu já esperava de banho tomado, barba feita e cabelo penteado. Até um paletó eu estava usando. Champagne comprada, flores e cupcakes especiais para a ocasião. Só faltou ela. As gravações foram até tarde, mas juro que não me importei de não poder ir ao restaurante, como tínhamos planejado. Ela me ligou por volta da 1h30 da manhã, dizendo que já estava em casa. Na época eu estava sem carro e pedi para que, então, ela me buscasse para passarmos a noite juntos. Ao dizer que estava muito cansada e já pronta para dormir, ela não destruiu apenas os planos que eu havia feito para aquela noite (quando apenas dormir ao lado dela já me faria muito feliz). Ela destruiu os planos que estávamos fazendo juntos. Na ocasião, o plano era nos mudarmos para o Rio de Janeiro e morarmos juntos. Eu já estava sob aviso prévio no meu emprego e com um dinheiro guardado para começar nossa vida juntos. Não precisei. Dez dias depois desse fatídico dia, terminamos nosso namoro.

Não posso declarar apenas esse episódio como causa mortis do relacionamento, mas foi um grande golpe. Essa data não é apenas uma forma de aquecer as vendas de roupas, perfumes, pelúcias, flores, vinhos e diárias de motel. É também uma data para relembrar que estar ao lado da pessoa que você ama é especial e essencial. É tão especial quanto ouvir “eu te amo” pela primeira vez e tão essencial quanto saber o momento certo para dizer “eu te amo” pela primeira vez.

Mas ainda pior que não valorizar a data quando se está namorando é hipervalorizar quando não se está. Existem pessoas neuróticas que, quando junho se aproxima, envolvem-se com qualquer pessoa, apenas para não passar esse dia sem ninguém. Assim, a veracidade da data se perde completamente. Estar com alguém por esse motivo é infinitamente mais degradante do que estar sozinho. Eu passei esse último Dia dos Namorados solteiro, mas não sozinho. Encontrei-me com muitos amigos que compartilham meu estado civil e fiz outros tantos que também não se importam com a solteirice. Isso não significa que não amo ninguém. Na verdade, amo cada vez mais essas pessoas que me ajudam a ser feliz sem me deixar esperando em casa, com flores.

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Mr. Stache

Eu não via o meu queixo desde novembro. Falando assim parece estranho, mas o que eu quero dizer é que estava usando barba há sete ou oito meses. Eu sempre achei e considerei a barba uma forma de construir e demonstrar personalidade, e também porque desvia a atenção de alguns defeitos no rosto, tipo marca de espinhas e tal. Mulheres usam maquiagem, homens usam barba.

Claro que depende da barba. Não dá pra pensar que uma barba no estilo náufrago vai te ajudar a ficar mais apresentável ou te deixar com ar de descolado (gíria idosa mode: ON). Tem que ser algo que te valorize, que faça você se sentir bem consigo mesmo.

Eu gostava da minha barba, mas devo admitir que foi muito bom tirá-la. Sempre quis testar o estilo que estou, ver se combinava comigo e tal, foi uma boa hora pra fazê-lo. Aproveitei a ocasião, melhor dizendo.

Tirei a barba, mas deixei o bigode.

Deixei o bigode para participar do Mustache Day, promovido em Porto Alegre pelo Comando Mustache. Ao contrário de muitos participantes desse movimento, eu não me barbeei depois da meia noite. Resolvi adotar a bigodeira, até porque preciso dela pra fazer meus bicos como ator e a cerveja que eu faço leva o nome desse amontoado de pêlos embaixo do nariz (não cai nenhum fio no produto, garanto!), mas realmente gostei do resultado, apesar de tão incomum entre as pessoas da minha idade.

Na festa do bigode, vi vários estilos que me deixaram com inveja, desde Ruffus, o Lenhador, até Mario Bros, e percebi como aquelas pessoas estavam se divertindo com aquilo. Sair do comum faz a gente se divertir. E o pessoal do comando incentivou essa fuga do comum: quem fosse de bigode ganhava uma cerveja, se fosse acompanhado de uma mulher, ganhava duas. A pessoa que me fez ganhar mais uma cerveja chegou a dizer que admirava quem era capaz de se “enfeiar” pra se divertir. Não posso dizer que fiquei lindo, mas, depois de três dias, confesso que já me acostumei.

Vou deixar a barba crescer de novo, mas sem mexer no bigode. Sei que posso contar com ele quando precisar me desprender de alguns padrões. Sei que posso contar com ele quando quiser me “enfeiar” pra me divertir. Sei que posso contar com ele para sair do comum. E sei que posso contar com ele quando quiser algum farelo do almoço (brincadeira).

A real é que a gente deve fazer o que quer pra se sentir bem. Vale a pena arriscar. Se não der certo ou não ficar legal, a gente ri e segue em frente. Com o tempo as coisas se ajeitam, as pessoas amadurecem e o bigode cresce.

P.S.: Como você já deve ter percebido, todas as crônicas desse blog são batizadas com nomes de filmes. O título da crônica de hoje é de um curta-metragem muito legal que eu vi há pouco tempo. Clique aqui pra assistir no YouTube.

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