Arquivo do mês: maio 2011

Brilho eterno de uma mente sem lembranças

Esse foi um final de semana nostálgico. E por nostalgia, não me apego a momentos vividos há muitos anos atrás, falo daqueles momentos que parecem que aconteceram ontem. Na verdade, aconteceram no sábado.

Desde julho do ano passado, vivo, de uma maneira suada e muitas vezes improvisada, o meu sonho de criança de fazer filmes (nostalgia mode: ON). Do jeito que podemos e conseguimos, criamos e contamos nossas histórias e, para isso, precisamos nos virar para descobrir como fazer o que queremos com a pouca, ou quase inexistente, verba que possuímos.

Nesse espírito de fazer tudo o que pudermos para fazer tudo que quisermos, descobrimos nossa locação favorita, presente em muitas das nossas produções. E foi a viagem que fizemos no sábado que trouxe à tona esse sentimento nostálgico que me levou a escrever esse texto (nostalgia mode: Still ON).

Começamos a viajar para Barra do Ouro, no interior de Maquiné (sim, isso é possível) em agosto de 2010, para gravarmos um curta-metragem. Desde então, viajamos inúmeras vezes para aquele cantinho do mundo que ainda não tem cobertura de sinal para celular. A cada viagem, nós trabalhamos, gravamos, nos divertimos e, acima de tudo, aproveitamos. Cada momento vivido entre amigos vale a pena. Seja numa noite chuvosa em um pedaço de terra longe da “civilização selvagem” da capital ou num bailão em homenagem a algum santo no salão paroquial que não apaga as luzes durante a festa.

Não interessa. O fato é que quando fazemos o que a gente gosta ao lado de pessoas que compartilham essa vontade, guardamos esses momentos na memória e, a cada novo encontro, podemos reviver essas lembranças (OMG! Isso ficou gay). O que vale é que eu sei que teremos mais viagens para a Barra do Ouro, mais filmes para gravar e mais lembranças para recordar, desde que da próxima vez, quatro mergulhos num rio gelado numa tarde de maio sejam apenas parte da memória.

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The Replacements

Durante toda a semana eu fico pensando num assunto para a crônica da segunda-feira, baseado no que eu vejo, percebo ou vivo. Nessa semana, um assunto em especial povoou meus pensamentos quase todos os dias, mas eu tentei combatê-lo e desviar a minha atenção.

Eu sempre escrevo sobre coisas que acontecem comigo, incluindo problemas, mas esse assunto é diferente e muito confuso, até pra mim. Por isso tentei evitar escrever sobre ele e substituí-lo por uma crônica reserva.

Já reparou como a gente sempre faz isso? Quando não nos sentimos muito à vontade com algum assunto, simplesmente desviamos o foco da conversa para algo que não nos faça tocar naquele tema. Uns chamam isso de seqüestro do assunto. Eu chamo de proteção da conversa. É uma forma de proteger você de algo que pode te magoar, ou magoar quem estiver conversando com você.

Não é nada fácil evitar algo que está martelando a sua cabeça o tempo todo. Aprendi recentemente, que para agir da melhor forma possível em relação a um determinado assunto, você não deve pensar muito nele, para não racionalizar demais e encontrar muitos pontos desfavoráveis. Devemos tentar relaxar e deixar que as respostas para estas nossas dúvidas surjam naturalmente. Isso não significa que nossos problemas se resolverão se nós os esquecermos. Mas sim que, quando deixamos nosso cérebro funcionar sem a influência ou a pressão do momento, pensamos com mais clareza. Pesamos os prós e contras com mais precisão. Chegamos às nossas conclusões com mais certeza.

Por isso não acho que fiz mal em proteger o meu assunto, mesmo utilizando-o como pano de fundo nessa crônica com a única função de desviar a sua atenção do que eu não queria dizer. O assunto continua habitando os meus pensamentos, apesar de eu ter apenas o observado dentro da minha cabeça. A solução não apareceu na minha frente, do nada, nem caiu de paraquedas. Mas ficar ali, na beira do abismo, apenas olhando para baixo, me fez perceber que a resposta para as minhas dúvidas já tinham sido dadas. Eu apenas tentava usar a poeira que toda a situação havia levantado para prejudicar minha visão lá de baixo.

Deixar esse assunto em segundo plano na minha mente fez a poeira dissipar e, agora, vejo tudo claro. Mas, como eu já disse, não quero falar sobre isso aqui. Então, só pra mudar de assunto, será que chove?

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Home Alone

Moro sozinho há cinco anos. Bem, nem tão sozinho assim. Em 2006 eu saí da casa dos meus pais e vim morar em Porto Alegre com a minha irmã e uma amiga dela. Por quatro anos, moramos os três juntos, até que chegou a hora de cada um tocar sua vida. Eu continuei tocando a minha ao lado da minha irmã. Desse jeito, não posso dizer que moro sozinho, apesar das poucas horas de convívio diário com ela.
Acontece que, por conta das férias da Sarinha, fiquei sozinho em casa e experimentei o sabor de, então, morar sozinho. Desde limpar o chão, o banheiro, cozinhar, lavar a roupa, levar o lixo, buscar a correspondência e ir fazer as compras.
Curti!
Apesar de todas as funções domésticas, é muito bom se sentir responsável pela sua vida. Tudo que você precisa para viver bem depende apenas de você. Quer estar confortável em casa? Mantenha-a limpa. Quer estar sempre bem arrumado? Lave bem suas roupas. Quer comer bem? Cozinhe ou tenha em mãos vários números de tele entrega (=P).
Não fiquei chateado por ter que lavar minhas roupas, louça e etc.. Na verdade, finalmente percebi que é mais fácil limpar tudo na hora, pra evitar o acúmulo e a perda de muito tempo depois. E, nesse mesmo raciocínio, se eu quiser acumular a louça e lavar somente depois, quando tiver muita, tudo bem, ninguém vai reclamar mesmo.
O único ponto negativo é a solidão. Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa sem vocação para eremita. Eu gosto e preciso de companhia, até porque falar sozinho não tem a menor graça. Gosto e sinto falta da companhia da minha irmã, até porque, em todos os meus anos de vida, só não morei com ela por dois. Nós sempre fomos companheiros, tanto para as brincadeiras como para as conversas. Nunca brigamos sério, com exceção da vez que ela quebrou um dente meu com um soco. Mas tudo bem, eu provavelmente mereci.
O fato é que essa semana que fiquei de dono do lar me fez pensar em um momento não muito distante nas nossas vidas. Minha irmã é noiva e, se meu cunhado não estiver enrolando ela (to de olho, Rafael), o casamento não vai tardar muito. Quando isso acontecer estarei sozinho, por muito mais que uma semana. Claro que saberei me virar e óbvio que visitarei ela. Mas chegar em casa do trabalho e não ter ela me convidando pra tomar um chimarrão, comer um McDonald’s ou até abrir um vinho, vai ser muito estranho. Vou sentir falta de todos os papos cabeça e também dos totalmente nonsense. Vou sentir falta dela me ligando para perguntar se eu jantarei em casa. Vou sentir falta dela, por mais perto que ela esteja. Talvez eu arranje um colega para dividir o apartamento. Talvez eu também case e tenha filhos (!). Talvez eu adote um cachorrinho pra me fazer companhia. O que eu sei é que vou sentir falta de morar com a minha irmã, que de tanto que fez por mim posso quase chamar de mãe, e que, sempre que der, vou querer ouvir ela no telefone me perguntando o que eu vou querer comer no jantar.

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Entrando numa fria

Eu prefiro o inverno ao verão. Quase a totalidade das pessoas com quem eu já compartilhei essa informação, disse que eu só falava isso pra tentar ser diferente. Bom, não é. Eu realmente prefiro o frio e posso explicar. No inverno as pessoas ficam mais próximas umas das outras. É tão bom juntar os amigos pra tomar um vinho e botar o papo em dia, fazer um programa a dois e comer um fondue, assistir um filme embaixo das cobertas, acender a lareira, enfim, fazer programas de frio, que, por si só, já são ótimos.

O frio esquenta o coração e faz a gente se aproximar de quem a gente gosta.

Não estou querendo dizer que só o inverno é bom e que o calor não presta. Eu adoro o verão, mas prefiro o inverno. Todos que tentam argumentar comigo dizem que no verão nós podemos ir para a praia, tomar um banho de mar, acampar e etc.. Acho tudo isso ótimo, mas são poucas as ocasiões que me permitem ir à praia ou planejar um acampamento. Quando estou em locais assim, aproveito ao máximo, quando não estou, fico suando e tentando não encostar em nada que me faça sentir mais calor. Eu praticamente passo o verão todo procurando pelo melhor ponto do ar condicionado no trabalho e, em casa, me revirando na cama pra tentar não grudar no lençol.

Claro que acordar no inverno é difícil. Quer dizer, acordar até é fácil, mas sair da cama é complicadíssimo. Primeiro, porque temos que sair debaixo de duas toneladas de cobertas. Segundo, porque embaixo de todo aquele mundo de lã, algodão e penas de algum bicho, estamos quentinhos e confortáveis. Terceiro, ter que acordar é ruim em qualquer época do ano.

Outro ponto muito questionado é o banho. E nesse eu discordo da maioria. Adoro tomar banho no inverno (no verão também , gente. Nunca fujo do banho), apesar de todo o frio. É até bom sentir aquele friozinho antes de entrar embaixo da água quente. De se secar correndo para por uma roupa quentinha. Poder deixar recados, desenhar ou simplesmente tentar se enxergar no espelho embaçado. É divertido!

Desde pequeno eu gosto do inverno e tinha, inclusive, uma forma de medição para o frio. Tinha o frio ventoso, que é aquele que, dentro de um ambiente está bom para ficar de mangas curtas, mas na rua a sensação térmica caía devido ao vento. Tinha o frio do vidro molhado, que era aquele que, quando eu acordava, via que o vidro estava cheio de orvalho e sabia que já tinha que vestir um casaco. E tinha também o frio fumacinha, que é aquele que, quando dava uma baforada com a cabeça pra fora da janela, saía fumacinha da boca.

Eu sentia saudade do inverno e de todas essas sensações que ele me traz. Ainda não posso dizer que ele chegou, mas já deu o ar da graça. Um frio ar da graça. Amanhã de manhã, quando eu tiver que acordar e sair da cama, vou me enrolar em um cobertor, calçar minhas pantufas, ir até a janela e torcer para que o inverno que está chegando carregue a minha respiração vaporizada pelo ar e mate a saudade dessa fumacinha que me diz que estamos mais longe do sol e precisamos encontrar o calor e a luz naqueles que nos fazem bem.

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Planeta Terror

Estava eu procurando um assunto para escrever nessa madrugada (sim, escrevo na madrugada), quando me deparo com a notícia de que o homem mais procurado e odiado pelos Estados Unidos e, consequentemente (!), pelo mundo está morto.

Osama Bin Laden morreu.

É uma grande notícia, não tenho dúvida, mas o que eu poderia falar de interessante acerca desse tema? Quanto a isso, eu tinha muitas dúvidas. Resolvi procurar por mais assuntos zapeando os canais da TV e clicando em sabe-se lá quantos links no Twitter. TUDO estava ligado ao tema “Osama is dead”.

Não me restou alternativa.

Lembro que, quando os atentados às torres gêmeas e ao pentágono ocorreram, fiquei muito assustado e preocupado que isso acontecesse no Brasil também. Compartilhei com a maioria da população mundial a revolta com o sujeito que assumiu a autoria dessa grande barbaridade. Assim como muitos, também achei que este sujeito merecia a morte. Mas hoje, ao ver a repercussão da notícia nos EUA, fiquei completamente embasbacado com aquelas pessoas reunindo-se em frente à Casa Branca para comemorar a morte do Bin Laden. Concordo que ele foi um grandessíssimo @#$%^&, mas celebrar sua morte chega a ser um desrespeito com a própria humanidade.

Na obra “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien, Gandalf, o Cinzento, diz a Frodo que muitos que vivem merecem morrer e muitos que morrem merecem viver. Se não somos capazes de devolver a vida a quem se foi sem merecer, também não somos capazes de decidir se alguém deve morrer. Esta passagem nerd foi a primeira coisa que lembrei quando vi a aglomeração em Washington.

O Osama está morto, o terrorismo não.

E é muito provável que, com a morte do cara, a chamada “Guerra contra o terror” esteja próxima de um fim, 10 anos e milhares de mortes depois. Mas a luta contra o terror real vai continuar matando muitas pessoas enquanto ainda pensarmos que a morte do próximo signifique qualquer tipo de vitória.

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