Arquivo do mês: março 2011

Coração Valente

Todos os animais, racionais ou não, carregam em seus peitos (alguns não têm peito, mas perdoe a figura de linguagem) um dos órgãos mais importantes tanto para o funcionamento de todo o corpo, quanto para as metáforas românticas: o coração.

Todo ser que se mexe por livre e espontânea vontade tem um coração. Os mais temíveis tem um coração de pedra, os insensíveis, gelado, os heróis tem um nobre, os apaixonados, derretido, as mães tem o mais mole de todos e meu pai tem um que não funciona direito.

Sempre considerei meu pai um homem de bom coração. Desde que eu era pequeno lembro-me dele ajudando as pessoas com menos condições que nós, seja financeiramente, com trabalho ou oferecendo um ombro amigo. O fato é que sempre que me falavam do meu pai, falavam bem, e dava para notar que as palavras saíam do coração. Dessa maneira, o coração do meu pai ganhou outro título: o de nobre, afinal é esse o coração dos heróis, e meu pai sempre foi o meu.

Dez anos atrás, descobri que o bom coração do meu pai não era tão bom assim. Não no sentido de bondade e nobreza, pois essas são qualidades inatas. Mas no sentido não-metafórico. O coração do meu pai sofre porque suas válvulas não conseguem espalhar todo o sangue que passa por ali, um tanto sai, outro tanto volta. Por muito tempo essa situação foi controlada por medicamentos e cuidados, mas chegou um momento onde, para evitar qualquer dor nos nossos corações, a cirurgia se fez necessária.

Hoje (28/3/11), meu pai internou no Hospital de Clínicas de Porto Alegre para realizar essa operação. A cirurgia será feita amanhã (29/3/11) de manhã e ele se mostra tranquilo. Não sei se essa tranqulidade é real ou apenas mais uma tentativa de acalmar os nossos corações. O que sei é que, não importa o quão grande seja o corte no peito ou o tamanho da cicatriz, nenhuma marca será grande o suficiente para deixar aquele coração menos amoroso, nobre ou bondoso. As peças dentro dele podem até ser trocadas, mas não o sentimento que ali mora, a paixão que ali pulsa.

Amanhã, depois da cirurgia, que vem deixando não só o meu, mas os corações de todos os familiares e amigos apertados, o coração daquele alemão vai bater forte, revigorado e com vontade de bater para, com toda saúde, continuar amando e vivendo.

Que Deus te acompanhe amanhã, pai!

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Contratempo

Olá, caro leitor.

Peço desculpas pelo transtorno, mas devido à minha burrice, o texto de hoje só será postado à noite.

Tive um probleminha com a Internet na minha casa e, por total falta de capacidade para pensar, esqueci de salvar o texto num pendrive.

 

Assim que postar, como de praxe, bombardearei o twitter para anunciar.

 

Grato pela compreensão,

 

Léo

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O Show de Truman

Sou fanático por cinema. Digo isso mesmo sem ter assistido grande parte dos filmes que ganharam o Oscar desse ano ou grandes clássicos da 7ª arte. Gosto de como o cinema é feito, desde analisar nomes de personagens até frases do roteiro, dos efeitos especiais, das histórias tão distantes da nossa realidade, mas que no fundo tem tudo a ver com a gente. Enfim, gosto de cinema por toda a fantasia que ele envolve. E, apesar de parecer estranho, é justamente a fantasia que eu tento trazer para a minha vida.

Sim, eu vivo como se estivesse num filme. No ônibus, fico olhando pela janela e deixo a tristeza transparecer no meu rosto, só pra deixar a cena mais dramática. Em casa, quando estou sozinho, ajo como se fizesse parte de um filme de suspense ou terror. Numa festa ou encontro, quando estou prestes a beijar alguma mulher, espero o refrão. Talvez por isso a trilha sonora seja uma das minhas favoritas entre as peças que compõe um filme. E o refrão… Bem, o refrão é o ápice da música, é o momento que todos esperam, é como o beijo dos protagonistas no final do filme.

Esperar até o refrão para beijar não é estar distraído com a música em vez de prestar atenção na pessoa, é valorizar o momento e carregá-lo de emoção. É transformá-lo em um momento único, no clímax daquela história, no melhor e mais importante beijo da sua vida, pelo menos até o refrão da próxima música.

É a cena que gostamos de ver e rever. É a cena que nos faz lembrar de todo o filme. Que faz valer toda a história. E por isso eu espero o refrão. Por querer uma trilha sonora que cresça na hora do beijo. Por querer a tensão de estar longe de qualquer ajuda quando a solidão é minha companhia. Por olhar pela janela do ônibus, ver as luzes da cidade e o reflexo do meu rosto implorando pela simpatia e compaixão do espectador, mesmo que ele não exista. É viver dentro de um filme. E, bem, se a vida é mesmo um filme como no Show de Truman, melhor tentar valorizar nosso melhor ângulo.

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À Procura da Felicidade

As pessoas me perguntam qual a razão de eu sempre andar com uma caneta no bolso. A resposta é simples: eu posso precisar anotar alguma ideia, seja pra um conto, uma frase, um poema ou uma tese de doutorado. “Mas por que tu não anotas no celular?” – Eu demoro demais pra digitar no telefone. Até eu escrever as primeiras palavras, já me esqueci das restantes.

Agora chego ao ponto que me levou a escrever esse post.

Há alguns dias, encontrei no meu bolso um guardanapo todo rabiscado. Este pequeno pedaço de papel continha uma série de considerações por mim escritas em um ébrio episódio.

Apresento-lhe, então, o resultado da formatação destes pensamentos sobre…

A Felicidade e o Sentido da Vida

(Eu sei, isto é, definitivamente, papo de bêbado.)

O que é a felicidade?

Segundo nosso fiel amigo Aurélio¹, felicidade é: Estado de perfeita satisfação íntima; ventura. / Beatitude; contentamento, grande alegria, euforia, grande satisfação. / Circunstância favorável, bom êxito, boa sorte, fortuna.

Segundo eu mesmo², felicidade é: Algo muito abstrato, indefinível. / Sentimento intimista e pessoal. / Objetivo de todos os seres humanos.

Enquanto meu organismo tentava processar e eliminar o álcool que havia ingerido, tive uma epifania, na qual o universo expandiu-se em minha mente e fui capaz de perceber qual é o sentido da vida.

Abre parêntese – Impressionante perceber que o sentido da vida possa caber em um pedaço de papel amarrotado e que após descobri-lo não atingi o “nirvana” e nem senti vontade de gritar algo como “bingo!”, “eureka!”, “rá!”, “mah oeeemm!” ou qualquer palavra/frase de exaltação. – Fecha parêntese.

O fato de nunca antes na história deste universo, alguém ter descoberto o sentido da vida se deve à má interpretação da expressão “sentido da vida”. Sentido, neste caso, não representa definição/significado e sim direção/caminho/trajetória. O rumo da vida. O sentido da vida, então, não passa do caminho que seguimos nela, do que construímos, destruímos, sonhamos. É a nossa busca.

Mas o que buscamos na vida? Como eu mesmo² já citei anteriormente, todos buscamos a felicidade, aonde quer que ela esteja. Cada um procura-a onde acredita que ela possa estar: na amizade, no amor, na religião, na ciência, na filosofia, na política (!), na carreira ou embaixo do tapete. Se para o Aurélio¹ a felicidade é o estado de perfeita satisfação íntima, para mim, a busca pela felicidade é o estado de não-satisfação, a não-estagnação e o constante movimento pessoal rumo aos objetivos.

Agora tu me perguntas: “Mas Léo, tu estás dizendo que quem busca a felicidade é triste e insatisfeito?” – Não, caro leitor. Triste é quem desiste de buscá-la. Todos os dias, nós provamos pequenas doses de felicidade, mas o que buscamos é a felicidade plena, e essa, só atingimos quando alcançamos e realizamos TODOS os nossos objetivos, ou seja, nunca. Porque não vivemos sem objetivos. E isso, de forma alguma, significa que jamais seremos felizes, e sim que, quanto mais buscarmos a felicidade, mais provaremos de suas pequenas doses e mais inebriados ficaremos com seu doce sabor.

Não concluirei este raciocínio com conselhos para uma vida feliz ou com a passagem para o “primeiro avião com destino à felicidade”. Na busca pela felicidade, cada um escolhe o seu caminho, seja por uma estrada longa ou por um atalho, escalando altos montes ou tropeçando em pequenas pedras. O fato é que todos encontraremos, em algum momento, um oásis para repousarmos antes de continuar nossa eterna jornada. Eu², todavia, encontro uma caneta em meu bolso e um guardanapo amassado, e assim, degusto novamente o inebriante sabor de ser feliz.

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¹ FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa. 3ª Ed. Curitiba: Positivo, 2004.

² STEIN, Leonardo Ceolin. Palavras ao Léo. Porto Alegre: WordPress, 2010.


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Nasce o filho

Bom dia, caríssimo leitor

É com imensa alegria que apresento-lhe o Palavras ao Léo. Um blog dedicado às minhas crônicas e observações sobre o que acontece e o que eu preferiria que acontecesse.

A estrutura destes textos é bem diferente da que vocês conhecem nos Textículos (que tá com novo layout e será atualizado), mas ainda tem a minha cara.

Toda semana você poderá deliciar-se (ou não) com uma nova crônica neste blog, que será atualizado toda segunda-feira.

Boa leitura!

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